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Trair ou não Trair - “UM MANUAL PARA UMA COISA OU OUTRA”

Por: Dr. Rubens Paulo Gonçalves
Publicado em: 16/04/2011

Contra Capa

                A traição é tão antiga quanto os Deuses. Os primeiros a trair foram eles. Os homens simplesmente os imitaram. O problema é que não se pode considerar que esses tenham a mesma capacidade que aqueles de se tornarem  imunes as conseqüências dos seus atos. Diferentemente dos deuses o comportamento poligâmico humano pode deixar profundas marcas na vida dos casais. Mas, como é composto um casal? É importante inicialmente tentar saber o que é “ O Masculino” e o que é “O Feminino”.

O trair não é abordado sobre o aspecto moral, religioso ou filosófico. A colocação é considerada somente sob o ângulo da vivência do casal. “Como trair”, não é uma recomendação para trair, bem como “não trair” não o é.

 Relatando alguns casos, procuramos ressaltar as besteiras feitas por homens e mulheres quando se dispõe a ter uma aventura fora do casamento. Ao mesmo tempo, alguns conselhos úteis para os aventureiros/as não se machucarem nem machucarem seus companheiros.

 

O Autor

                Rubens Paulo Gonçalves é Ginecologista e Obstetra formado na PUC do Paraná em Curitiba no ano de 1969. Com quarenta anos ouvindo mulheres , já escreveu sobre  elas em : “ O Desafio da Menopausa”, Envelhecer bem” e “ Gravidez para Grávidas”.

 Atua em sua clinica em São Paulo e é cirurgião no Hospital Albert Einstein.

 

Prólogo

                                Comecei a pensar em escrever sobre o assunto, após uma conversa com uma cliente que apresentava essa dúvida. Na verdade a pergunta fica a cada dia mais freqüente em meu consultório. Historicamente a traição já levou á inúmeras histórias. Umas com final feliz, outras com desenlaces catastróficos.

Existe hora ou época para a traição? Existem razões que a justifiquem? Amo meu marido, você acha que devo traí-lo? E se meus filhos souberem?Tenho vontade de trair minha mulher! Será que vai dar certo?

                Essas e muitas outras perguntas estão sempre presentes do outro lado de minha mesa. Resolvi que estava na hora de estudar o assunto mais profundamente e tentar ajudar um maior número de pessoas, que não só minhas pacientes. Talvez  orientando para não comprometerem suas vidas de maneira irrecuperável. Quando digo isso, não pensem que estou dizendo que não se deve  trair! Não!! As vezes é a solução para uma vida ! As vezes até para um casamento que se arrasta e que só permanece por preguiça, medo ou indolência!

                - Ah! Deixa ficar!

                 A traição sempre foi considerada com muito menos rigidez quando realizada pelos homens. “Garçoniéres”( apartamentos para encontros com mulheres) se tornaram tão comuns no século XlX  que muitas vezes eram compartilhadas por vários homens de uma mesma família, que se serviam delas, dividindo as despesas ao final do mês.

                Pois é! Os homens pensavam que as mulheres não sabiam! Costumo dizer que o que leva um homem a essa “pouca visão da realidade” não é o medo de enfrentá-la. È cegueira espiritual mesmo.

                São vários os aspectos que envolvem a traição.Vamos ver se conseguimos fazer um livro que agrade a todos, mas principalmente às mulheres. Afinal, vivo delas! Sou Ginecologista!

                Boa Leitura

 

Da Traição:

                Os Deuses traiam. Zeus, filho de Cronos, casa-se com Hera, sua terceira esposa e a trai inúmeras vezes tendo vários filhos fora de seu casamento. Para conquistar outras deusas e mesmo mulheres mortais, usa dos mais estranhos ardis como por exemplo metamorfosear-se em o Cisne de Leda ou no Touro de Europa.Teve Apolo e Atena com Demeter; Minos, as Musas e Helena, com Mnemosine,  que como todas as suas amantes foram perseguidas por sua ciumenta esposa Hera.

                Percebemos por aí, que quando falamos em traição, não estamos falando de algo raro e incomum, mas sim do procedimento de homens, mulheres a até dos Deuses. Algo atávico a existência? Mais comum ao homem? Mais tolerável socialmente se for exercida pelo homem?

                Afrodite, (Venus na mitologia Romana) deusa da beleza, era casada com Hefestos, rei do fogo, que apesar de presenteá-la com as mais lindas jóias para que não o traísse, com elas deixava-a mais bela e desejável pelos outros deuses e homens. Assim, Venus teve como amantes  mortais: Anquizes com quem teve Eneias,  e Adonis com quem teve Anteros . Como deuses, foram seus amantes inúmeros deles; Apolo com quem teve Himeneu ; Ares com quem teve Fobos, Deimos e Harmonia, além de ter Priapos com Dionizio. Podemos pensar que se fosse hoje com o uso de anticoncepcionais o número de amantes seria muito maior!

                Foi uma das divindades mais veneradas pelos povos gregos e romanos. Suas festas eram chamadas de afrodisíacas desde Atenas até Corinto. Com o crescimento do poder patriarcal Venus, apesar de não perder sua característica de sexualidade liberal, passou a ser considerada promíscua e superficial. Possuía o poder de provocar o amor nos corações  humanos  para depois destruí-los sempre usando como sua principal arma a perfeição da beleza feminina.

                A mais famosa estatua de uma mulher, que se encontra hoje no Museu do Louvre é dedicada a ela.

                Quando é que a traição feminina passou a ser considerada mais grave e sujeita a punições sociais? Sem dúvida com o aparecimento das sociedades religiosas onde se procurava conservar a família a custa da preservação da fidelidade feminina.

                 No começo da humanidade, não podemos falar em diferenças entre homens e mulheres. Os seres humanos viviam em hordas e só mais tarde em famílias e povos. Para sobreviver ás intempéries e aos animais tinham que  manter-se juntos. Quem se isolava, morria.

                Quando começaram a existir as clãs, uma primeira tentativa de formação da família, foram atribuídos as mulheres os trabalhos junto ao fogo, as plantações e o cuidado com os filhos, enquanto ao homem foi atribuída a tarefa de obter alimentos. A mulher era até então, considerada “mágica”, pois além de fazer brotar a vida da terra, ela fazia vir ao mundo novos seres de seu próprio ventre.

                Homens e mulheres eram nômades e homens e mulheres viviam em harmonia. Muito pouco desse período é conhecido , mesmo por que os historiadores desconsideram a mulher na história da humanidade. Era então o reinado das “deusas”, que mesmo consideradas como tal, nunca foram detentoras do poder . Esse sempre foi atribuído ao homem.

                Quando inventaram o arado, e o ser humano se fixou em uma região, os homens começaram a perceber que eles eram capazes de fertilizar a terra e produzir alimentos. A mulher então deixou de ser mágica principalmente porque, logo após, eles perceberam que eram absolutamente necessários para que elas gerassem vidas em seus ventres. Sozinha ela não era capaz de procriar.

                Com a fixação e o cultivo da terra, houve necessidade de força física para conduzir o arado mesmo quando tracionado por animais.  O ser humano passou então a ser mais sedentário e daí nasceram as primeiras povoações, as primeiras cidades e os primeiros Estados. Não foi mais a dupla homem e mulher  responsável  pela manutenção da vida, mas a sociedade, a lei do mais poderoso, do mais forte.

                Nas sociedades mais primitivas reinam ainda conceitos de força e agilidade dos machos que tentam impressionar fêmeas que querem se aliar aos mais bonitos e mais fortes para garantir uma prole cada vez mais saudável . Os machos então “cedem” a esse desejo e copulam com várias fêmeas. Até nos nossos mais antigos parentes, os chipanzés, se observa essa conduta na seleção dos elementos de um grupo. O macho mais forte expulsa os mais fracos e se torna único com várias fêmeas  para disseminar suas sementes. Hoje em dia, além de desnecessária, esta poligamia só existe oficialmente em países Islâmicos, e com certeza não obedece a nenhum  preceito de perpetuação .

                O excesso da produção, cria os mais poderosos e daí o homem, sabendo-se detentor do poder da criação, passa a explorar a mulher como produtora de mão de obra e de soldados para a guerra e conquista de territórios.

                É a dominação do homem

 

DO MASCULINO

                Afinal o que é o masculino? O que torna os seres, masculinos? O que são esses seres? A coragem a força e o arrojo são condições criadas pelas civilizações ou inerentes ao ser que produz testosterona? Várias citações nos fazem pensar sobre o assunto.

A constituição do “masculino aparece numa citação de Baudrillard (2001)

 “O masculino sempre foi residual. Uma formação secundária que é preciso defender a custa da supressão, instituições e artifícios. Povos primitivos da Nova Guiné (Sambias) submetem adolescentes a ritos de passagem de extrema violência; saturam seus  limites físicos e os torturam para eliminar seus fluídos femininos”.

Seria então  necessário criar naquele ser, características de resistência a dor, ao cansaço e a violência para que ele se constitua  masculino?

Lipovetsky (2001) :entende o masculino como aquele que

 “se orienta para a instrumentalidade tecno-cientifica, mas também para a violência e o poder“

Rosenfeld (Britton R. 2003) define um pouco mais seu pensamento quando nomeia o sentimento dizendo que:

 “ A Sensibilidade é tida como coisa de mulheres e homossexuais. Entrar em contato com o sensível é arriscar-se  a desmantelar-se enquanto macho, perder  poder, caracterizando um medo infundado de efeminização”.

Analisando uma sociedade moderna e as necessidades dos seres machos a ela pertencentes,  Bonzom M. (2004)   diz que :

“ Todos querem parecer “sarados” na vitrine das carnes. A maioria “oca” coloca por vezes a vida em risco com o uso de anabolizantes etc.”

Finalmente colocando uma figura analítica na observação, Lipovetsky (2005)  considera que:

“ Don Juan está bem morto. Elevou-se uma nova figura inquietante: Narciso”

Ora, com certeza, esse ser que “se ama” tanto e que pretende considerar a hipótese de mesmo sendo “tão espetacular”, poder dividir ou dirigir o seu desejo, se relaciona com as mulheres de modo diverso que o homem de 50 anos atrás . Será?

 Kierkgard (Bauman 2003)  acredita que :

“ O prazer do homem não é pela posse da mulheres, mas pela sedução delas”

Muitas vezes isso se nota quando os rapazes como que desfilam para as jovens esperando delas uma admiração física muito mais que à algum tempo quando eram as mulheres a desfilarem para produzir “suspiros” de admiração e depois serem possuídas. Parece que a posse hoje para eles, é algo secundário, que obviamente ira acontecer pelos predicados expostos, se eles quiserem. Não será necessário nenhum esforço de homem, mas sim, só a exposição de sua “macheza”. Resultado! Acabam desejando muito menos.

A mulher passou a necessitar de muito mais cuidado com sua postura para, segundo Cushinir  (2004)

“ser um objeto sexual em constante metamorfose, para estimular, agradar e capturar o apetite de seu macho e então não ser traída.”

Analisando assim, acredito que Hegel: “ (Lipovetsky 2000)  tenha razão quando afirma que :

 “A subjetividade humana se constrói no conflito inter-humano tendo em vista o reconhecimento e o prestígio. Pode-se dizer então que o homem é um ser essencialmente inseguro e trai para se certificar de sua macheza, separando sexo de afeto ficando livre para trair pois as sociedades com sua dupla moral o autorizam”.

Com isso podemos analisar que o amor masculino deixa de ser carregado de romantismo e paixão, ficando dependente de uma corporalidade excessiva a ponto de, animalizado, ser visto por Shopenhauer A. (1860/1904) como:

 “ um amor que diminui sensivelmente a partir do momento que obteve satisfação; quase qualquer outra mulher o excita mais que aquela que possui. Ele anseia por variedade.”

A TRAIÇÃO MASCULINA             

                Segundo o dicionário do Houais , traição é  infidelidade amorosa, deslealdade.  Segundo Ives Montand:

 “ O homem pode ter dois, talvez  três, casos depois de casado, mais que isso é enganar”

80% dos homens aceita uma relação sexual, puramente como tal. Só 10% das mulheres pensa da mesma maneira. Para 90% delas , a relação terá que ter um envolvimento amoroso, não sendo algo puramente fisiológico.

        Ailton Amelio, em “Para viver um grande amor”,  coloca serem os homens, mais displicentes em matéria de sexo,aliando as ligações, puramente ao prazer enquanto as mulheres têm necessariamente que aliá-las a existência de uma maior ligação afetiva. Para ele isso acontece pela hereditariedade e pelos altos níveis de Testosterona.

                Enquanto a mulher se preocupa mais se seu homem está apaixonado por outra mulher, o homem se preocupa mais, em saber se ela foi penetrada ou não.

                Quando penso, por que um homem trai, tenho  a certeza de que isso chega muito mais pela insegurança de sua masculinidade , que deverá estar sempre colocada a prova, além de uma dificuldade de se entregar àquela amada única, pelo medo de que o afeto seja revelador de uma fraqueza ou fragilidade. Sem dúvida, uma sociedade que valoriza a super sexualidade como fenômeno de “macheza” também é facilitadora desse estado de prontidão a traição. O masculino é frágil. A necessidade de estar com outros homens pode produzir a falsa sensação de que estar sempre em contato com o feminino, possa fragilizar a sua masculinidade.

                O pseudo super macho diz então: “ mulher é para ter relação sexual, a melhor companhia para homem é outro homem” .

                Talvez o que esteja subjacente a essa afirmação seja que o masculino é tão frágil que para manter-se, tem necessidade de contatar-se com outros do mesmo gênero reafirmando-se. O viver  por muito tempo com mulheres, por tão absorvente que é o feminino, trás o temor de abrandar o seu masculino. Uma citação de BIDDULPH, S.2003,  explica o comportamento dizendo;

“ As vezes ,ser homem parece quase impossível e, para isso, é preciso apoio emocional de outros homens”

                Pode-se então explicar porque homens têm amigos e mulheres têm rivais!

                Parece ser mais difícil então ser homem, ou melhor ser macho. Desde a mais tenra idade o menino percebe que esperam dele uma maior resistência a dor ( homem não chora) impondo-lhe um controle que em alguns casos chega as raias do absurdo. A tensão e a contensão de sentimentos e emoções que não seriam próprios de um macho, fazem com que os meninos expressem em suas atitudes uma agressividade totalmente falsa. A necessidade de ser macho é superior a necessidade de expressar seus autênticos sentimentos, muitas vezes isso perdura por toda a vida.

                No contexto dessas agressivas emoções, estão atitudes  algumas vezes destrutivas, como os excessos de bebidas ou extravagâncias sexuais que mais tarde serão comentadas com os parceiros. Stekel,W. (1968), sugere que homens extremamente agressivos e chamados de “ provocadores de briga” :”são na verdade, homossexuais querendo mostrar a si mesmos sua masculinidade, lotando com isso os hospitais e cadeias”.

                Se com os do mesmo gênero ele procura briga, com a mulher ele quer reafirmar sua masculinidade tendo o poder, com certeza, não advindo de sua superioridade em inteligência, mas de sua força física e por possuir um falo.

                É muito difícil para um homem civilizado admitir sua porção animal, mas muito fácil comparar-se a fauna para justificar sua traição.. Segundo Wright, R.(2006) “ Trair não é natural,somente pode haver traição quando,de forma direta ou não, se tenha algum compromisso ou investimento afetivo na relação”.

                Assim pode-se dizer que os animais não traem. Mesmo que quando acasalados cruzem com todas as fêmeas que aparecerem em seu caminho. Não têm consciência da opção pela parceria. A multiplicidade de parceiros se dá pelas oportunidades ou pela obediência a um ciclo reprodutor ou cio.

                Conclusão: O animal não trai, por que não tem ligação afetiva com a parceira. O homem trai, não por necessidade animal , mas por ser animalizado o que é completamente diferente. É de se supor que quanto mais ele possa se ligar afetivamente a alguém, mais se “desanimalize” e traia menos.

                Sem dívida essa “animalização” não é a única possibilidade de traição com que conta o universo masculino. Inúmeras outras de ordem física e emocional existem.

                Mas!!!! Como à toda afirmação pode existir uma outra completamente diversa, no livro “ Les Hommes,l´amour, la fidélité”da psicóloga francesa  Maryse Vaillant  (Essaias doc Ed; 0utubro de 2009) encontramos que :                                                                                                                ” Os homens ao serem infiéis agem de acordo com sua natureza e isso é essencial ao seu funcionamento psíquico, pois não deixam de amar suas parceiras. A traição masculina não é feita pelos homens não amarem mais suas mulheres, mas, simplesmente por que precisam de um espaço próprio. Os poucos homens monógamos sem casos extraconjugais, normalmente têm uma fraqueza de caráter . São homens cujo progenitores eram física ou moralmente ausentes dando á eles uma visão completamente idealizada da figura paterna e da função paternal. A partir daí, desenvolvem um comportamento irreal ou seja: Fiel!”

                Com certeza quase todos meus leitores masculinos adoraram a psicóloga Maryse.

Para que a análise possa ser verdadeira é necessário levarmos em conta a diversidade de situações existentes: as alianças propostas, os pactos firmados. Como começamos a relação? Quais os compromissos assumidos? O que esperamos do parceiro? Para desalento dos machões, também no livro de Maryse encontramos:

“ As mulheres por sua vez podem ter uma experiência libertadora ao aceitar que os pactos de fidelidade não são naturais mas culturais”. 

Com certeza essa experiência libertadora é bi-lateral.

                A indulgência com a traição masculina é o que caracteriza um duplo padrão social pois para a mulher sobra um olhar muito mais severo.

 

DO FEMININO

                 Já, há trinta anos atrás, Helen Kaplan escrevia sobre a Fisiologia Sexual falando em um sistema trifásico de resposta:           

                Aquecimento do apetite sexual por estímulos positivos( desejo, apetência).

                Excitação sexual que se segue desde que os estímulos sejam gratificantes.

                A resposta orgástica que pode ou não acontecer.

                A partir do aquecimento, com um nível mínimo de estrógenos e androgênios desencadeia-se um complexo mecanismo neuro hormonal com ativação de centro cerebral de prazer.

                Na mulher, a segunda fase, a de excitação, acontece no sistema límbico e no hipotálamo. Liberações de neurotransmissores excitatórios, como   a dopamina, melanocortinas, noradrenalina e ocitocina  provocam: Vasocongestão pélvica, miotonias (pequenas contraturas)  genitais, além do aumento da lubrificação, as vezes rubor corporal, vasoconstricções anais, aumento do ritmo respiratório e cardíaco. Os nervos parassimpáticos, liberam o óxido nítrico e um polipeptídeo intestinal (VPI). Com isso a parede vaginal fica mais congesta, o útero é deslocado para cima ampliando o canal vaginal e o clitóris se torna mais proeminente com maior sensibilidade.

                A fase orgástica acontece como um máximo de congestão pélvica e contrações musculares genitais e extragenitais além de contrações involuntárias e rítmicas do períneo. A liberação da tensão sexual, desencadeia o orgasmo, quando se observa um relaxamento e sensação de bem estar e prazer.

                Atualmente acredita-se ser esse modelo muito estático e absolutamente orgânico.

                                Rosemary Basson, propôs  mover o foco do desejo sexual espontâneo  (primeira fase de Kaplan) acreditando que a maioria das mulheres perde tal desejo após algum tempo de relacionamento com o mesmo parceiro. Em sua opinião esse desejo linear existiria só numa novidade de parceria, num reatamento de relações ou motivado por níveis muito altos de hormônio em determinados dias do ciclo.  Basson valoriza muito mais a intimidade , retirando o foco da genitalidade e identificando a sexualidade como um todo. Para favorecer essa intimidade e motivação sexual, aparecem  a auto-imagem, a capacidade de sentir-se atraente a capacidade de atrair, ser amada e desejada. A integração de fatores biológicos, cognitivos e emocionais provocara o desejo que em perfeita harmonia levarão ao orgasmo.

                Depois do orgasmo, novas reações hipotalâmicas provocam a produção de endocarabinoides e opioides que induzem a saciedade sexual.

                Percebe-se que esse novo modelo, não despreza a fisiologia, mas a coloca a parte de fatores emocionais que na verdade são os desencadeadores das reações cerebrais.

                Os mecanismos de prazer feminino são de maior complexidade que os masculinos. Talvez seja por isso que as mulheres estão menos dispostas a praticar uma  traição do que os homens. É preciso tanta coisa para valer a pena, que muitas vezes desistem de um contato que poderia acabar numa relação extra conjugal, mas que traria tanto risco que as desestimula.

                Atualmente encontramos mulheres que, ao contrário de algum tempo atrás , têm com a relação sexual uma atitude muito menos passiva.  Procuram o prazer pelo prazer deixando o romantismo de lado e partindo para a pura satisfação carnal. Parece que aprenderam com os homens e passam a usá-los como puros objetos sexuais. Entretanto outras existem, que ainda jovens vão em busca do lúdico feminino, formando um leque de emoções, quase um  treino para maternidade e para a esposa futura. Mesmo com a profissão definida e a independência econômica, muitas mulheres mantêm o desejo secreto de proteção. Enquanto as iniciações sexuais masculinas aos 17 anos, ou um pouco menos, vêm do desejo , curiosidade ou afirmação, as meninas em qualquer idade procuram indicar amor, carinho, e se declaram apaixonadas por seus parceiros. Até mesmo quando casadas, estão a beira da traição, continuam a sonhar com o grande amor que poderá acontecer.

                Em função de se auto entender  assim, é muito difícil para uma mulher compreender que seu homem a traiu e ainda a ama.

                Talvez o fato de considerar as emoções, sexo e amor integrados, não sejam inatos, mas produto de uma dominação masculina. Somente com a certeza do amor do parceiro ela se libera e o sexo passa a ser uma extensão do seu amor. É possível considerar que nenhuma mulher, por mais íntegra que seja, está isenta de uma traição, pois essa estaria calcada na aprovação de uma cultura que admite a traição de seu parceiro.

                Goldberg(2004)  diz que; “a mulher mesmo quando trai continua se percebendo como vitima que no máximo reage a dominação masculina”.

                Fico realmente em dúvida se uma mulher para trair forja uma paixão para justificar-se para si mesma ou se realmente acontece uma paixão fugaz.

OS VÁRIOS TIPOS DE TRAIÇÃO

                               As razões que levam alguém a trair são as mais variadas possíveis. É importante que definamos traição um pouco além do que nos dizem os dicionários, que como vimos só a classificam como deslealdade, infidelidade amorosa.                

Diria que traição é a negação da doação exclusiva do prazer libidinal (não só orgástico) a quem se é ligado afetivamente. 

A mais comum traição masculina acontece por puro “testeronismo”, ou animalização. A mais comum traição feminina acontecia até há alguns anos  por fatores afetivos: paixão, vingança ou desespero.

As coisas hoje mudaram. A mais comum traição masculina continua sendo de origem hormonal, mas a feminina passou a ser por necessidade de afirmação de suas potencialidades, independência ou pura necessidade orgástica, animal.

Com certeza essa atitude se reflete nos casamentos que parece, terem passado a ser, de um tempo para cá, menos definitivos para as mulheres sendo elas capazes de considerar seus parceiros como pessoas que as estão complementando no contexto histórico daquele momento e que têm potencialidade de continuar assim, mas,... não sendo, serão descartados bem rapidinho.  Parece que separar-se hoje depende muito mais de “não se realizar sexual,  e socialmente” do que há algum tempo, quando as amarras ao casamento eram muito maiores.

                Se posso separar-me mais facilmente, com mais condição social de ser aceita, mais fácil fica trair. Posso decidir se vou continuar casada ou não e mesmo que decida não mais continuar, tudo bem...

                A própria valorização profissional do trabalho da mulher, após 1945 facilitou não só as separações, como também as traições. Não dependendo do dinheiro do homem para manter-se e aos seus filhos, a mulher está muito mais livre para decidir se esse homem vale ou não a pena.

                As vezes ela pode decidir depois de uma traição. Estamos falando de traição corriqueira aquela que acontece e deixa de acontecer sem que o parceiro saiba, uma relação sexual esporádica que pode não produzir grandes marcas, no homem porque ele não fica sabendo, na mulher por menor que seja a marca ela se considerará mais tocada. Seria por assim dizer uma relação esclarecedora: afinal vou continuar no casamento ou não?

                 Mais grave e mais marcante é um segundo amor na vigência de um casamento. Aí normalmente o parceiro é relegado a um segundo plano e acaba dispensado. Isso é grave!

                Sem dúvida encontros acontecem que proporcionam situações que potencialmente são perigosas. No caso daqueles que encontraram homens ou mulheres “muito compreensivas/os” e “excelentes ouvidos” para suas queixas, acreditem, então trilhando um caminho certo para a confusão. Quando falo assim não afirmo que no final de algum tempo tudo não esteja até melhor que hoje. O que quero dizer com confusão é que muita alteração no modo de vida poderá acontecer, até que o casal consiga se separar e ter uma vida normal com outro/a parceiro/a

                Para aqueles/as que acham que encontraram a companhia ideal, é bom ter em conta que essas pessoas, não agüentam você no dia a dia e qualquer coisa que escutem dessa “privilegiada cabeça que você tem” é motivo para o/a admirarem muito mais que aquela/e chata/o que você tem lá em casa que quando você começa a contar algo já sabe como vai acabar o assunto e nem deixa você falar. Se é que a ouve. Vamos chamá-las então de “ As/Os Compreensivas/os” .

Outro tipo de ligação perigosa: A traição dentro da família. Rara? Não, muito comum!                                                                                                              

 Seu cunhado(irmão da sua mulher) é casado com uma mulher formidável. Chamaremos o caso de “ Minha cunhada espetacular”. Alias quando ele casou você já achava isso. Nunca falou, mas sempre que sua mulher falava mal dela você não retrucava e achava que a errada era sua esposa e não ela. De repente a vida foi passando os filhos vieram e vocês como todos os casais de uma mesma família, começaram a passar as férias juntos na praia, no campo ou em algum hotel.

                Ela nunca deu a menor bola para você, mas nas discuções em família, você percebia que; ou ela pensava como você ou achava seu posicionamento muito inteligente. As vezes, na praia quando sua esposa e o irmão saiam para andar, vocês dois ficavam e conversavam bastante e isso era muito agradável. Um beijo mais pertinho dos lábios ao se cumprimentarem, um abraço mais cumprido nas comemorações, um segurar na mão mais tempo ao se despedir, uma troca de “eletricidade estática” foi se acentuando. Eis que um belo dia na casa da praia os dois levantam para ir ao banheiro, na mesma hora da madrugada, e se encontram na porta:

                - Vai você, eu espero!

                - Não , pode ir! Depois eu vou!

                - Vamos os dois juntos!!!!!!!!!!!!!!!!!

                Aí você dançou! Drama familiar, um dia seguinte horrível,uma cara de choro na mesa, uma intolerância com o marido etc etc. Cuidado! Uma catástrofe se aproxima!

                Para a mulher, acredito que, para achar “um cunhado espetacular” seja mais difícil mas: um “Cunhado Vencedor” é um perigo! Normalmente o problema existe não quando ele é casado com sua irmã mas quando ele é o irmão do seu marido. O esquema é exatamente o mesmo e a ida ao banheiro juntos acaba acontecendo! Daí para achar que seu marido é um mole, nada esperto ou meio burro é um passo!

                “A Gostosa Mulher do meu Amigo” ou O Gostoso marido da minha amiga”. Alias nem precisa ser gostosa/o. O Essencial é que seja a/o “do/a  amigo/a”.  O poquerzinho em casa nos finais de semana, os restaurantes , os pilequinhos juntos, as viagens etc: Aonde acabam? É lógico, lá mesmo! Drama; por que um outro amigo acaba contando. Divórcio, brigas mil, separação, ódios nunca aplacados. Um sensação de eterno adereço sobre a cabeça! Triste! Pra que isso? Tanta mulher (ou homem) no mundo! Tanta mulher(ou homem) melhor que essa/e! Como é que você foi se meter?

                Talvez as mais comuns traições venham da ligação patrão /secretária. É a que chamaremos “ A traição sem criatividade”. Claro! Será que você pensa mesmo que ela está vinte e quatro horas do jeito que se apresenta para trabalhar? Gostosinha, arrumadinha, cheirosinha etc? Será que você acredita que ela gosta de você pelos seus admiráveis dotes de macho? Talvez por sua inteligência? Sua esperteza! Será? Larga de ser egocêntrico! É lógico que ela vai gostar de você. Você comanda pessoas (inclusive ela). Você dá ordens, você é o chefe. Ela não sabe o que você faz fora do escritório, suas idiossincrasias. Da mesma maneira que ela não está sempre arrumada, você em casa não é o chefe, não é respeitado ou acatado ou admirado como no seu trabalho. Se for, logo logo vai deixar de ser! Seja pelo menos original! Não torne sua secretária um grande problema.

Na relação profissional, nunca uma mulher se apaixonaria pelo seu secretário! O que acontece aqui com elas, são os encontros em congressos ou seminários. Os tais “jogos de integração” tão usados atualmente para promover um congraçamento entre funcionários da empresa, as vezes exageram na dose e uma admiração profunda é criada por exemplo entre um diretor e uma diretora. É difícil a mulher gostar de alguém em posição profissional inferior a dela. A não ser que seja um homem mais moço, bonito, gentil, inteligente etc e ela seja maternal

                Os modelos clássicos de homens e mulheres diferem um pouco . Guardam, entretanto uma similaridade pelo menos quanto ao desejo.

                As ligações por desejos não resolvidos, vamos chamar de “ O Amor antigo”. Quando jovem, você foi apaixonada/o por ele/a. Era o/a seu/sua herói/rainha! Não era muito bonito/a ou era lindo/a, não importa. O que importa é que você estava apaixonado/a. O tempo passou,a vida os separou, você casou com outra, ela com outro, filhos, profissão, dificuldades, as vezes financeiras as vezes com os filhos ou até com seu/sua marido/esposa que como todos os maridos e esposas não são  os/as mesmos/as  dos primeiros cinco anos de casados  até que um belo dia, você estava fazendo compras no Shopping e sem querer olha através do vidro de uma vitrine. Alguém está do outro lado fixando o olhar em você. Sem querer fica vermelha/o.  Não, não é possível! Será que é o/a X? Um saudoso abraço, um sorriso.

                -Poxa! Quanto tempo?

                - Nem fale, mas para você o tempo não mudou! Continua igual!

                Lembranças, lembranças de desejos não realizados ou muito bem realizados, numa juventude que já foi com um  desejo que pode ainda existir mas com um prazer que nunca mais será o mesmo. Papo vai papo vem, o velho “tesão” chega, (coisa que você não sentia a muito tempo), a/o toma e: vamos pra cama. O entusiasmo é muito, mas aí se sente que já não somos aqueles. Não dá! O cheiro não é o mesmo, a pele não é a mesma: que pena! Não! Que bom! Se desse certo estaríamos expostos. Digamos que esse encontro terá sido bom quanto menos ele provocar outros. Caso isso aconteça! Cuidado!

                A mulher, muito mais que o homem está sujeita a um outro tipo de encontro que pode acabar na cama muito mais que os homens. São os médicos! Desses, três são mais perigosos. O Psiquiatra, o Pediatra e o Ginecologista. Numa segunda posição, eu ainda colocaria os Dentistas. Vamos chamar a estes de “ O desejo e os  Maus Profissionais”.

                Quando se lida com o corpo ou com a alma de outra pessoa, nos tornamos muitas vezes pessoas especiais. É preciso ter em conta que quem confia num profissional desse, passa a gostar dele de uma forma sutil e delicada, pelo que ele trás de saúde para si ou para um filho. O gostar aqui, deverá ser entendido sempre como uma forma de retribuição de bons cuidados recebidos. No caso de mulheres, essa admiração poderá ser transformada em uma transferência sexualizada. O que é isso? Ela admira ou depende tanto, que confunde esse sentimento com amor e aí está a base essencial para se sentir atraída sexualmente.

                O que fazer? Cabe ao profissional esclarecer a situação,  explicando a ela o que está acontecendo. Esclarecendo que esta idealização que está fazendo é fruto de uma gratidão e não do conhecimento que tem dele como homem. Não é amor! Normalmente só um papo assim resolve a situação. 

                Eu diria que quando acontece a traição nesse caso, a mulher está  fragilizada por sua condição de dependência e é traída por ela mesma. Grandes remorsos acontecem. Muitas vezes esses tipos de traições causam grandes problemas que podem perdurar por toda uma vida. Uma judiação. Profissionais assim deveriam ter suas licenças cassadas.

                O mesmo pode acontecer com, arquitetos, engenheiros advogados etc, mas esses não tem a responsabilidade de interpretar a transferência aí a coisa é de responsabilidade dos dois. O que fazer? Cuidado para não destruir seu casamento ou o do outro.

                Um misto de família e amor antigo é o primo! “O/A primo/a querido/a”. Quando eram pequenos brincavam de papai e mamãe,  beijinhos, mão no pintinho e nos, ainda nascentes, seiozinhos. Agora tudo cresceu e a história é outra. Na falta em casa, um primo/a aparece e as brincadeirinhas po


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