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A Evolução da Sexualidade

Por: Dr. Rubens Paulo Gonçalves
Publicado em: 06/04/2016

O intuito é tentarmos fazer uma relação entre o que guardamos em nosso inconsciente e nossas respostas a essas memórias. O ser humano começa a ter registros a partir da formação do sistema nervoso. Não existe possibilidade de guardamos qualquer coisa antes de termos um gravador para isso. Experiências revelaram, entretanto, que algumas memórias são genéticas, atávicas ao nosso ser, transmitidas pelos nossos cromossomas. Assim por exemplo o ato de sugar que envolve um movimento de uma série de músculos, já existe na vida intra uterina e nos chegou através de nossos genes. Sem dúvida se nos detivermos a pensar o que de nossa sexualidade pode ser transmitido pela nossa memória cromossômica, poderemos chegar a inúmeras conclusões que muitas vezes poderiam esclarecer pontos obscuros de cada ser humano. Como tais constatações ainda não são cientificamente estabelecidas, infelizmente o que podemos supor é que elas existem e farão parte de um futuro da ciência. O que sabemos é que o ser humano já no útero começa a ter um estímulo prazeroso, que Freud chamou de sexual. A sexualidade como forma de prazer sentido, teria então como começo, a sexualidade dérmica, o prazer sentido pelo feto quando em contato com o líquido amniótico em toda sua pele no interior do útero. A evolução dessa sensação de bem estar e segurança, seria para o prazer oral, a sexualidade oral. Para entender o que é isso, imaginemos que o recém nascido é para ele mesmo só uma sensação de desconforto na altura do estomago. Esse é seu primeiro sentimento. A dor é ele e ele é a dor. O caos é absoluto. De repente, alguém pressiona seus lábios e ele instintivamente suga. Inicialmente pode não haver diferença na dor, mas ele percebe que algo melhorou. Ele é uma boca e um desconforto. Mais um passo e ele percebe que ele emite um som e mais um pequeno espaço de tempo, percebe que , alguém encosta alguma coisa na sua boca e depois de um tempinho a desconforto pára. Que prazer imenso ele tem! O choro alivia sua angústia por que trás algo a sua boca que ele engolindo faz parar o seu desconforto. Ao sentir isso ele já é uma boca, um cano da boca até o estomago ( a dor) e o próprio estomago. Isso se mantém por algum tempo assim. Um pouco mais ele tem noção que alguma coisa caminha por dentro dele e ele tem muito prazer em eliminar. Ao mesmo tempo ele reconhece alguém que tem seu cheiro e que o alimenta. Ele reconhece o seio. Enorme e gostoso, e ela, a nutridora, a mãe! Como ele a presentei-a? Com a única coisa que ele produz e lhe dá prazer, o seu cocô! As vezes ele até guarda o cocô por mais tempo, para ter maior prazer em elimina-lo ou bravo com a nutridora ele não a presentei-a e fica com prisão de ventre. O que interessa é que a localização do prazer sexual no ânus é então a evolução da sexualidade oral para a sexualidade anal, já um prenúncio da sexualidade genital. Por volta de quinze meses, o nenê descobre; ele que tem pênis e ela que tem clitóris. Mais que isso, descobre que é muito gostoso esfregá-los,. É a fixação genital da sexualidade. Baseados nesse mapa inicial da evolução da sexualidade tentaremos fazer comparações entre as diversas fases e as respostas na fase adulta. Imaginemos um exército em uma guerra. Imaginemos que esse exército tenha tomado uma região e tenha que continuar avançando. Para que isso aconteça, para encompridar suas linhas e cada vez mais ir á frente, ele tem que estar com o terreno tomado perfeitamente sob controle, resolvido. Com a sexualidade é a mesma coisa, para passar de uma para outra fase, para evoluir sexualmente, é preciso que a primeira esteja sedimentada. Sem dúvida, resquícios ficam de cada uma das fases como em um exército ficam as memórias do terreno tomado mas a evolução tem que existir, o amadurecimento da sexualidade tem que acontecer. As experiências primitivas, se bem resolvidas, proporcionam um evoluir tranqüilo não querendo dizer com isso que não deixem traços. Tentemos analisar o que permanece de cada uma. O que fica no adulto, da sexualidade dérmica. O imenso prazer em tomar um banho de imersão em água tépida de uma grande banheira (e se possível numa posição fetal) depois de um estresse ou um trabalho desgastante. O prazer de ser acariciado pela água ou por alguém. O contato pele a pele com alguém que se ama. Tudo isso permanece. Ao contrário o contato pele a pele difícil, não gostar de ser acariciado o medo de se afogar numa banheira podem refletir dificuldades naquela fase. Sexualidade oral , o beijo, a fome exagerada, o comer por angústia, a calma após engolir alguma coisa, ou ao contrário a bulemia, a anorexia são todos resquícios dessa fase. Se pensarmos que engolir alguma coisa fazia com que nos sentíssemos bem, é explicável a fome quando somos contrariados, ou estamos sob estresse. O estimulo sexual dado pelo beijo nos remete ao prazer que tínhamos quando encostávamos nossos lábios nos seios de nossas mães. Naquela época a proporção entre os seio e nós era muito grande. As vezes nos deparamos com homens que adoram seios imensos. Provavelmente querem manter na fase adulta a mesma proporção de quando eram amamentados, daí o sucesso das mulheres com seios grandes. Sugar o mamilo durante os preâmbulos sexuais excitam as mulheres pois os mamilos são zonas erógenas , e os homens pela presença mnemica da sexualidade oral. Lamber ou ser lambido antes do ato sexual revela então um misto de sexualidade oral e dérmica. Talvez aqui seja interessante reparamos por que a evolução da sexualidade tem que existir, porque só beijar, lamber, sugar os mamilos ou no caso das mulheres o felácio, não levam a procriação. A evolução da sexualidade conduzira o homem e a mulher a se unirem e procriarem. Essa é a função primordial, é por isso que sexo é tão bom! É a garantia da natureza que o ser humano vai procriar. No caminho para a sexualidade nos órgãos genitais, o prazer “ sexual” passa pela sexualidade anal. A fase da retenção das fezes na criança para ter o prazer de evacuar em maior volume mais tarde, ou negar á mãe o seu produto (as fezes) como uma forma de negação de um presente deixam para a fase adulta o resquício do prazer sexual anal ou peri anal. Muitas mulheres e homens tem essa zona como de grande excitação. Paralelamente a isso, alguns sofrem de prisão de ventre crônicas de origem emocional ou têm diarréias quando submetidos a angústias. Também dessa fase vem personalidades introvertidas, os colecionadores, os que guardam coisas. A evolução da sexualidade para a sexualidade genital completa o ciclo. A partir então das excitações na descoberta do pênis e do clitóris como fonte de prazer que acontece entre 1 ano e 1 ½ ano as crianças passam por uma fase de latência, que pode durar alguns anos. Aos quatro ou cinco anos, aparecem as primeiras tentativas de identificações. O menino com a figura paterna mais presente e a menina com a figura materna. A bola para ele, a boneca para ela que estavam presentes desde o berço começam a fazer sentido. Um pouco mais, entre cinco e os seis anos a própria noção de si mesmo da existência e da diferenciação como ser separado da mãe suscita as primeiras perguntas: De onde eu vim? Como eu entrei lá? Como eu sai de lá? Respondidas com a verdade em palavras simples e coerentes com o entendimento dos pequeninos, eles logo deixam de se interessar pelo assunto Quanto mais forem escondidas e inexatas as explicações mais aguçaremos a curiosidade das crianças de uma forma errada.


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