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O Amor ao Entardecer

Por: Dr. Rubens Paulo Gonçalves
Publicado em: 06/04/2016

O AMOR AO ENTARDECER Rubens Paulo Gonçalves O calor de uma paixão parece só possível em um coração jovem. A juventude é o tempo das idealizações dos sentimentos e relações intensas, muitas vezes secretas. Tempo da ruptura com padrões de todos os amores conhecidos. “Ninguém ama mais que nós dois”. “Nosso amor dói”. “Se pudesse eu entraria dentro dele e o teria dentro de mim vinte e quatro horas”. “Somos um”. Desde que comecei a ouvir as mesmas coisas ditas repetidas vezes por mulheres acima de cinqüenta anos, passei a interessar-me sobre a possibilidade de desenvolvimento de um novo amor, nessa fase da vida. Sem dúvida com características diferentes, mas não menos intensas do que o amor adolescente idealizado, ele aparece e toma o ser com a mesma intensidade. A conscientização do tempo de vida restante (“Não nos resta tempo a perder”) contrasta com a absoluta onipotência do amor jovem, (“Somos eternos”) provocando, entretanto, o mesmo resultado. Ao invés de criar uma série de embaraços ao desenvolvimento do par amoroso, essa conscientização aumenta a intensidade e a urgência da resolução de como lidar com o espaço a percorrer à dois. A situação e posição social, ao contrário de aplacar as excitações, acabam por multiplicá-las. Diferenças, mesmo culturais, são muito menos consideradas como empecilho para a união. Parece que as características “da alma humana” prevalecem. Da timidez registrada nos primeiros encontros, por medos e apreensões advindas não só das situações civis ainda não resolvidas, ou mal solucionadas, com o parceiro anterior, até vergonhas de marcas deixadas no próprio corpo pelo passar dos anos, pouco subsiste como muito importante ou impeditivo. O casal amante atinge uma liberdade talvez nunca conseguida com os primeiros parceiros. Nessa fase da vida em que as neuroses já estão aplacadas, os problemas edipianos resolvidos e as identificações muito pouco presentes, o espaço para o amor ao outro, como ele é, fica muito maior. No caso do homem nem a possibilidade da impotência sexual passa a ser hoje, fator inibitório, já que ele sabe poder aplacá-la com medicação adequada. Muitas vezes o simples fato de ter esse conhecimento, diminui em muito a necessidade de uso de qualquer medicamento. As proibições sexuais edipianas que proporcionavam uma falsa moral agora inexistem, o que faz com que o par chegue a jogos amorosos muito mais voluptuosos e excitantes do que fizeram cada um deles com seus anteriores parceiros. A ligação, via de regra, é carregada de ternura com a sexualidade redescoberta num contexto adulto e maduro. O desejo erótico e o amor se fundem para dar ao casal uma completude até então difícil de ter sido alcançada. Os limites dados pelo tempo e capacidade física, ao contrário do que se possa imaginar, são suaves e tranqüilos. Enquanto os homens se sentem mais ligados com suas parceiras por fatores que eles identificam como “não só sexuais” as mulheres mais velhas se dão a liberdade de acharem seus parceiros muito mais “objetos sexuais” do que o fizeram na mocidade. O estímulo clitoridiano é agora muito mais integrado aos estímulos vaginais, pois os problemas masturbatórios estão plenamente resolvidos não mais existindo culpas ou inibições. Muitas vezes encontramos casos de mulheres com mais de sessenta anos que ao se reencontrarem com homens que tiveram um papel amoroso em sua vida de jovens, sentem-se profundamente atraídas, principalmente se na primeira vez em que estiveram juntos, a ligação tenha sido proibida ou considerada imprópria. Esse reencontro é sempre libidinalmente muito intenso, pois muitos anseios do passado podem agora ser alcançados sem frustrações ou culpas. Realmente tudo isso nos mostra que as relações “ao entardecer” são libertadoras principalmente dos desejos eróticos e íntimos, e principalmente das inibições super-egóicas, muitas vezes presentes na vida inteira de um casal. Segundo Santiago Castilho (Universidade de Santiago do Chile) até a citação em Eclesiastes do velho testamento corrobora a procura do pleno gozo por toda a vida: “ Goza a vida com a mulher que amas, todos os dias de tua vaidade; os quais Deus te deu abaixo do sol; porque esta é a tua porção de felicidade nesta vida pelo teu trabalho que tu fizeste abaixo do sol” É comum que encontremos pares formados por indivíduos que passaram a possuir, na maturidade, o mesmo tipo de lazer, muitas vezes advindo da prática que só um deles desfrutava antes do conhecimento. Pares de jogadores de tênis, golfe, bridge, adeptos da leitura de livros, teatro etc. Isso aparece no profundo interesse que cada um individualmente tem, pela experiência de vida da pessoa que passou a amar e inclui a análise de como ela elabora seu mundo interno, suas preferências políticas, literárias e artísticas, construindo com as novas experiências uma nova vida ao par, e a cada um uma nova e gostosa vivência. Há algum tempo, participei de uma roda de cinquentões, entrevistados por um canal de televisão, sobre assédio sexual a homens dessa idade. Respondi, com toda a convicção, que esse assédio não viria de uma posição financeira já resolvida, mas sim de uma posição emocional e psíquica estável. No caso de assédios por mulheres muito mais novas, é necessário considerar, a possibilidade de um Édipo. Sem dúvida, são inúmeras as alternativas, mas entendo que quando colocamos aqui as questões estamos falando de dois seres resolvidos economicamente e independentes. Grandes desafios ao amor na idade avançada são os medos inerentes a saúde física de cada um dos parceiros. Muito maior para o homem, que em caso de doença teria que ficar muito mais na dependência da sua parceira, com isso tendo que renunciar à posse do cetro matrimonial e aumentar sua tolerância a essa dependência, sem medo de se tornar desprezado ou mal querido em função dela. Existem ligações que normalmente são passageiras. Costumo dizer que um casal formado entre uma masoquista e um sádico, vive em perfeita harmonia. Do mesmo modo acho que neuroses complementares podem se harmonizar numa união madura. Uma mulher edipiana poderá se resolver com um homem vinte, trinta ou quarenta anos mais velho. Do mesmo modo uma narcisista pode se enamorar de um homem bem mais velho pela sua superioridade social e posição política, financeira ou intelectual que ele ocupa. O perigo é que, como qualquer situação imatura, pode levar a que só se enxergue o que se quer no outro, e em pouco tempo a uma destruição da vida cotidiana quando aparecem as limitações do parceiro em várias outras áreas. Todos nós somos olhados por nossos parceiros de maneira completamente diferente do que a sociedade nos enxerga por nossas posições ou realizações. O exemplo que bem ilustra o fato é aquele que mostra a mulher de Eisntein quando foram lhe contar que ele tinha recebido o prêmio Nobel de física. Ela teria dito: ─“ Quem? O Alberto?”― e deu uma gargalhada, como se não fosse possível o marido dela ter ganho tão grande láurea. É comum, mulheres mais velhas se apaixonarem por homens mais novos e muitas vezes efeminados. Ressentimentos com seus pais, de natureza edipiana, podem levar a isso e seus parceiros se sentem confortáveis, pois a exigência sexual pode ser menor e o relacionamento se torna adequado às suas potencialidades. Normalmente quando tais ligações chegam ao fim, quem mais sofre é a mulher que passa por momentos de depressão e perda de confiança, recriando os traumas edipianos, incestuosos, decorrendo a partir daí muita culpa. Algumas alterações importantes acontecem com os pares mais velhos, também em relação às suas necessidades sociais. Com o passar do tempo, os casais têm menos necessidade de viver em grupo. Muitas vezes as viagens são solitárias e representam o prazer que os dois sentem pela solidão. As vezes só um pequeno número de pessoas faz parte das relações e são suficientes para o apoio social de ambos. A sensação de completude conseguida é função de um grande conhecimento do outro e da vida dos dois. O simples caminhar de mãos dadas, é o suficiente para que se sintam bem e seguros. Não há necessidade de grandes explicações sobre posições assumidas. Eles se conhecem e se amam. Talvez o que escrevi há alguns anos sirva para indicar esse contexto: Nunca estou sozinho mesmo que esteja sem ninguém. Nunca ficarei só, pois sempre as lembranças de nossas vivências estarão comigo. Muitos anos vivi, muitos anos sonhei, para que necessite de algo mais. Estou bem, estou pleno, agora, só você. Suas mãos frias em minhas mãos quentes nos reconhecem e assim vamos nós. Só você, eu e nossas mãos. Afinal, e finalmente, somos tanto quanto nossos sentimentos. Nos ligamos de todas as formas para construirmos o casal humano. Isso pode acontecer em qualquer idade, em qualquer fase de nossas vidas. Não se pode limitar o tempo para que possamos amar. Estamos sempre prontos, a questão é encontrar nosso complemento. Procure-o, procure-a, ela pode estar ao seu lado, basta descobri-la, mesmo que seja ao entardecer. * Dr. Rubens Paulo Gonçalves é Ginecologista e autor de vários livros entre os quais “ A Resposta do Mar” que conta a história entre uma jovem e um homem de cincoenta anos


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